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Boa parte da cobertura de tecnologia tem se resumido a acompanhar a institucionalização de picaretagens gigantescas que só colam porque tem gente com muito dinheiro as promovendo. Criptomoedas, NFTs, metaverso, Web3. Que miséria. Podemos fazer melhor que isso.

Só digo que os grupos progressistas precisam olhar com carinho as criptomoedas. Esses NFTs, metaverso realmente não vai nos levar para um mundo bacana.

Existe uma criptomoeda (deve ter outras) que é baseada na tecnologia do bitcoin, só que ecológia e não especulativa. O que significa que os preços são definidos em uma assembleia. É como uma moeda comunitária, só que global. https://fair-coin.org/en/comparing-currencies
Quando a Internet começou a ganhar mais tração, eu me lembro do quanto era comum certas pessoas falarem com orgulho que não assistiam televisão, que tinham meios melhores para se informar, e ingenuamente, apenas se iludiram com plataformas diferentes (e muito mais sofisticadas, ainda por cima).

Youtube, por exemplo, foi um dos principais vetores de ataque da grande mídia, dando ao público a ilusão de estar mudando e se libertando sem de fato estar. Orkut, que teve grande sucesso no Brasil foi outro. E o resto da história conhecemos bem.

Depois de tudo o que passamos, será que a lição não foi aprendida? De fato, parece que ainda somos os mesmos.

A propósito, eis o que penso sobre o hype do termo Web3:
https://framalistes.org/sympa/arc/gnl/2021-12/msg00005.html
Bacana o link hrcerq. Qdo vc fala em framework GNUnet é aquela rede alternativa como a rede tor ou o i2p?
Eu vejo o GNUnet como algo mais. Não diminuo a importância de instrumentos como as redes Tor e I2P, elas tem o seu papel. Mas elas ainda são tentativas de subversão da infraestrutura lógica da Internet, que já foi sabotada desde a sua concepção.

GNUnet é uma tentativa de substituir a essa infraestrutura sabotada por uma outra, pautada desde o início por valores de solidariedade, respeito, privacidade, sustentabilidade, segurança e colaboração.

Para saber mais veja a página do GNUnet[1] e também esse artigo do projeto Secushare [2], que ajuda a entender melhor isso que quero dizer.

[1] https://www.gnunet.org/en/
[2] https://secushare.org/broken-internet
@hrcerq
Bacana! Gosto de projetos q passam pelo guarda chuva da FSF e do projeto GNU.
@ghedin
Também gosto. Especialmente quando são tão bem projetados e tão importantes para o futuro das nossas comunicações.

@gn21 fundamentalmente, criptomoedas não diferem de NFTs. Não vejo como uma poderia ser a saída para o problema do dinheiro.

A intro da última newsletter da Real Life manda a real:

“Finance is anti-democratic by nature; it's not about equitable distribution of political power but the exploitative distribution of resources for private gain. And money is at its core little more than inequality's scorecard, a means for documenting and carrying inequality forward.”

tinyletter.com/reallifemag/let

Não vejo motivo em demonizar "todas" as criptomoedas. Em algum grau até mesmo o real ou dólar servem para o propósito de uma minoria. Porém tudo ainda é mto novo e recente.
Rodrigo! Dá uma olhada em https://small-tech.org/ (se quiser é claro) sobre aquilo que estavamos conversando sobre a web3 das cripto e NFTs. O conceito é web0 e talvez seja melhor do que as redes federadas. É um projeto em andamento p2p com baixos recursos. Quem sabe vale um artigo lá no manualdousuário.
Concordo que há miséria nisso aí.

Há um misto de loucura e ingenuidade em esperar que tecnologias promovidas por grupos ultraprivilegiados realizem alguma mudança real. Pois se houvesse mudança real, o privilégio destes se dissolveria por completo.

Aliás, não creio que possa haver tecnologia que resolva os problemas da sociedade. Se há uma chave para construção de uma vida melhor, ela está nas pessoas. A tecnologia apenas refletirá os valores de quem a constrói.
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